A inteligência artificial (IA) tem transformado a sociedade, influenciando setores como saúde, educação, transporte e segurança.
No entanto, essa rápida evolução tecnológica trouxe preocupações éticas, sociais e de segurança, exigindo a criação de regulamentações para proteger direitos e mitigar riscos.
A Europa destaca-se como pioneira nesse campo, com o Regulamento de IA da União Europeia (AI Act).
O AI Act da União Europeia é o primeiro esforço abrangente para regular a IA em escala global. A legislação adota uma abordagem baseada em risco, classificando os sistemas de IA em quatro categorias: baixo, limitado, alto e inaceitável. Tecnologias de risco inaceitável, como vigilância em massa e manipulação subliminar, são proibidas.
Já os sistemas de alto risco, como aqueles usados em diagnósticos médicos, controle de fronteiras e decisões financeiras, devem atender a requisitos rigorosos, incluindo auditorias, explicabilidade e supervisão humana.
Além disso, a legislação europeia busca harmonizar o mercado, criando um padrão único para os 27 países membros, o que promove a inovação responsável. A Europa também incluiu diretrizes para garantir que os sistemas de IA respeitem direitos fundamentais, como a privacidade e a não discriminação, enquanto impulsiona a transparência e a responsabilidade das empresas desenvolvedoras.
Essa abordagem equilibra o potencial da IA com a proteção social. Torna-se referência global.
Em outras partes do mundo, a regulamentação continua em estágios iniciais ou fragmentados. Nos Estados Unidos, não há uma legislação federal específica para IA, mas estados como a Califórnia têm avançado em políticas de privacidade digital, como o CCPA (California Consumer Privacy Act), que afeta diretamente o uso ético de tecnologias baseadas em IA.
Por outro lado, a China enfatiza o controle estatal da IA, priorizando segurança nacional e alinhamento com valores do Partido Comunista, com foco em aplicações como reconhecimento facial e análise preditiva. Já o Japão aposta na convivência harmoniosa entre humanos e IA, promovendo diretrizes éticas para o desenvolvimento e uso responsável da tecnologia.
A regulamentação é fundamental para garantir que a IA seja usada de forma benéfica, mitigando riscos e promovendo inovação responsável. Sem regulamentações claras, a IA pode agravar desigualdades, perpetuar preconceitos algorítmicos e comprometer direitos fundamentais, como privacidade e liberdade. Além disso, o uso de deepfakes e sistemas de vigilância de massa levanta preocupações éticas e pode desestabilizar processos democráticos. Ao mesmo tempo, a regulamentação promove a confiança do público na tecnologia e incentiva práticas transparentes e responsáveis. Isso é especialmente importante em setores sensíveis, como saúde e segurança, onde erros ou vieses podem ter consequências graves. A regulamentação também cria um ambiente seguro para o avanço da tecnologia, atraindo investimentos e promovendo inovação sustentável.
A ausência de regulamentação pode levar à exploração inadequada da IA, colocando em risco a sociedade como um todo. Exemplos incluem o uso indiscriminado de IA em armas autônomas, sistemas de pontuação social e práticas de vigilância invasivas. Esses cenários não apenas comprometem a privacidade e a segurança individual, mas também podem causar danos irreparáveis à confiança pública e à estabilidade social. Além disso, a falta de padrões claros cria um ambiente de incerteza para empresas e desenvolvedores, retardando a inovação e expondo negócios a riscos regulatórios futuros. A desregulamentação também dificulta a cooperação internacional, essencial para tratar de questões globais como cibersegurança e governança ética da IA.
A regulamentação da inteligência artificial é mais do que necessária; é urgente. A abordagem europeia fornece um exemplo robusto de como equilibrar inovação com proteção de direitos fundamentais. Outros países devem seguir essa direção, adaptando suas regulamentações aos contextos locais, mas mantendo uma visão global. Com regulamentações bem estruturadas, a IA pode ser uma ferramenta poderosa para enfrentar desafios da sociedade, promovendo inclusão, eficiência e desenvolvimento sustentável.
Alfredo Bottone é Matemático, Advogado, Professor em MBA de Governança Corporativa, Consultor de RH Estratégico, Ética Empresarial, Relações Trabalhistas e em Desenvolvimento de Lideranças e de Profissionais de RH. É Ph.D., Philosophy in Business Administration (USA). É autor do livro “Insights de um RH Estratégico”, “Os desafios legais e de gestão do teletrabalho, home office e regime híbrido”, além de e-books e artigos na área trabalhista, gestão de pessoas e governança corporativa. É membro da Board Academy no Brasil e associado do SHRM (Society for Human Resources Management) nos Estados Unidos.