

Assédio moral e sexual no trabalho os prejuízos invisíveis ao ambiente e visíveis no caixa da empresa
Assédio moral e sexual no trabalho não é um tema comportamental. É um risco organizacional.
Durante muitos anos, falar sobre assédio moral e sexual no ambiente de trabalho foi tratado como algo periférico, quase um “problema de comportamento individual”. Hoje, essa leitura já não se sustenta. O tema passou a ocupar um espaço central nas discussões sobre governança, riscos jurídicos, reputação corporativa e, sobretudo, dignidade humana no trabalho.
A adoção da Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) marcou um divisor de águas ao reconhecer, de forma inequívoca, que a violência e o assédio no mundo do trabalho constituem violação de direitos humanos e são incompatíveis com o conceito de trabalho decente. A partir desse marco internacional, não se discute mais se o tema é relevante, mas sim como as organizações estão se preparando para enfrentá-lo de forma efetiva.
No Brasil, o reflexo dessa mudança é claro. O crescimento expressivo das ações trabalhistas envolvendo assédio moral e sexual não decorre apenas de maior litigiosidade, mas de uma ampliação da consciência social, da jurisprudência e das obrigações legais impostas às empresas. A Lei nº 14.457/2022, somada às Normas Regulamentadoras, especialmente a NR-1 e a NR-5, ampliou significativamente a responsabilidade organizacional na prevenção, identificação e tratamento dessas condutas.
De 2020 a 2023, a Justiça do Trabalho, em todas as suas instâncias, julgou 419.342 ações envolvendo assédio moral e assédio sexual. O volume de processos julgados sobre assédio sexual cresceu 44,8% no período, e os de assédio moral aumentaram 5%.
As novas ações recebidas pelo Judiciário Trabalhista nos últimos três anos a respeito desses temas somaram 361.572 (338.814 sobre assédio moral e 22.758 sobre assédio sexual). Enquanto o volume de casos novos sobre assédio moral se manteve estável, o de assédio sexual cresceu 14,3%.
Segundo o Monitor do Trabalho Decente, 72,1% das ações sobre assédio sexual julgadas desde 2020 foram ajuizadas por mulheres. A faixa etária predominante era de 18 a 29 anos (42,5%) e de 30 a 39 anos (32,6%).
O crescimento, contudo, não significa necessariamente que estejam ocorrendo mais situações de assédio em ambientes profissionais, mas podem revelar uma maior conscientização das pessoas sobre o tema e uma sensação maior de segurança para reivindicar direitos.
“Condutas que configurem assédio moral e sexual não podem passar despercebidas e não podem ser toleradas, em qualquer tipo de ambiente de trabalho”, alerta o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Lelio Bentes Corrêa. “Essas práticas afetam todo o ambiente profissional, impactam a produtividade e, principalmente, prejudicam a saúde das pessoas. É nocivo para todos”.
Por que costumo chamar de Crises Ocultas, apesar desse número acima? O fato é que, apesar de crescente o número de reclamações trabalhistas no Judiciário, esses dados acima são apenas a ponta o iceberg, ou seja, eles são muito baixos em relação aos números reais.
Baseada em entrevistas realizadas com mais de 500 pessoas de diferentes profissões e situações socioeconômicas, a Pesquisa Mapa do Assédio no Brasil 2024, conduzida pela KPMG, evidencia a persistente necessidade de tornar os ambientes de trabalho mais seguros.
O levantamento aborda diferentes tipos de assédio: moral/psicológico; sexual; por deficiência; de gênero; por questões de idade; relacionado à orientação sexual; discriminação religiosa; entre outros. Os resultados são alarmantes:
Um ponto que ainda gera confusão é a própria compreensão do que caracteriza o assédio. Em muitos casos, ele não se manifesta por atos explícitos ou extremos, mas por práticas reiteradas, naturalizadas na cultura organizacional: humilhações públicas, isolamento profissional, críticas desproporcionais, silenciamento, excesso de controle ou tolerância seletiva a comportamentos inadequados.
No assédio sexual, por sua vez, basta a ausência de consentimento para que a conduta seja ilícita, ainda que o agressor tente relativizá-la como “brincadeira” ou “exagero de interpretação”.
É justamente aqui que reside um dos maiores riscos para as empresas: o assédio muitas vezes ocorre não por dolo institucional, mas por falta de conhecimento sobre sua abrangência, suas formas e suas repercussões jurídicas e reputacionais. A ausência de capacitação adequada faz com que lideranças, RH, CIPAA e até áreas jurídicas subestimem situações que, mais adiante, se transformam em crises trabalhistas, danos à imagem da marca empregadora e quebra de confiança interna.
Assédio moral: exigir, reiteradamente, que o colaborador faça mais de duas horas extras diárias em atividades que não se enquadram como força maior ou necessidade imperiosa; numa reunião com os colaboradores, chamar atenção, de forma ofensiva e perante os demais colegas, de um erro que o mesmo tenha cometido; empregado é demitido sem justa causa e a chefia pede para ele retirar de imediato todos os seus pertences, acompanhado de dois seguranças, gerando constrangimento perante seus colegas; exigir que o colaborador execute uma tarefa de risco, mesmo sem o EPI, por falta do mesmo no estoque.
Assédio sexual: gerente convida a colaboradora para ir na sua casa para fazer um trabalho num final de semana, alegando ser um local mais tranquilo e por isso mais produtivo; colaboradora pede reajuste no salário e o gerente sugere discutir isso num jantar à luz de vela; colega de trabalho do sexo masculino sempre que se reporta a uma colega de outra área para tratar de algum assunto profissional, toca-a nos ombros, reiteradamente, embora ela já tenha demonstrado desaprovar essa intimidade.
Sob a ótica do compliance e do ESG, o tema deixa de ser apenas jurídico e passa a ser estratégico. O pilar social do ESG não se sustenta sem ambientes de trabalho seguros, éticos e psicologicamente saudáveis. Investidores, parceiros e o próprio mercado passaram a observar com atenção como as organizações tratam denúncias, como previnem riscos psicossociais e como reagem diante de situações sensíveis. Ignorar isso não é apenas um erro ético, é uma decisão de risco.
Criar políticas, canais de denúncia e códigos de conduta é necessário, mas não suficiente. Sem formação adequada, esses instrumentos tendem a se tornar peças formais, desconectadas da prática cotidiana. A prevenção efetiva exige conhecimento técnico, leitura jurídica atualizada, compreensão dos impactos humanos e preparo das lideranças para lidar com situações reais, muitas vezes complexas e delicadas.
Falar sobre assédio moral e sexual no trabalho não é levantar bandeiras ideológicas, nem criminalizar relações profissionais. É reconhecer que ambientes organizacionais saudáveis não se constroem apenas com metas e resultados, mas com respeito, clareza de limites e responsabilidade institucional. A tolerância zero ao assédio não é um discurso, é uma prática que se aprende, se estrutura e se sustenta.
Conheça o nosso curso Crises Ocultas: Assédio Moral e Sexual no Ambiente de Trabalho, com certificação MEC, focado em prevenção, gestão de riscos, compliance, ESG e atuação das lideranças, com a participação de especialistas, inclusive uma renomada juíza trabalhista. Tratamos o tema de forma prática, jurídica e alinhada às exigências atuais.
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Para empresas que queiram fazer mais de 5 inscrições no curso online e/ou ter um atendimento sobre o tema de forma customizada (palestra interativa para lideranças, treinamento de multiplicadores descentralizados, workshop, mentoria para lideranças regionais, clínica de casos reais, etc.): entrar em contato pelo e-mail: cursocrisesocultas@rhestrategicoconsultoria.com.br ou pelo WhatsApp:+5519991947410.
Kátia Madeira
MKA Madeira Kliauga Advogados
O escritório MKA foi criado em 2007 como um escritório boutique. O escritório presta serviços especializados nas áreas cível, trabalhista, contratual e esportiva, oferecendo atendimento de alta qualidade e segurança jurídica. Com sede em São Paulo, Brasil, o MKA é um escritório de advocacia premiado por sua atuação e profissionais.
Katia Madeira Kliauga Blaha, é sócia-fundadora do MKA Advogados. Kátia foi premiada dentre os advogados mais admirados do Brasil. Kátia possui forte atuação em negociação e contencioso internacional. Kátia atuou bancos, escritórios de advocacia americanos e europeus, bem como foi consultora do Banco Mundial. É especialista em Direito do Trabalho e Desportivo, aconselhando bancos, jogadores, clubes e patrocinadores. Katia também é sócia do MKA Sports Internacional, plataforma multidisciplinar esportiva, com filiais em São Paulo, Miami e Barcelona. Kátia cursou Direito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e completou seu Master of Laws na University of London, King’s College, London, UK.
Alfredo Bottone
RH Estratégico Consultoria
ALFREDO BOTTONE é especialista em Recursos Humanos, além de matemático e advogado especializado em Direito do Trabalho, Relações Sindicais, Governança Corporativa e Ética Empresarial, com vasta exposição nacional e internacional nas áreas de atuação.
Atualmente, é consultor e professor de Governança Corporativa no MBA da FACEAT/SP e em curso de Formação de Conselheiros da Board Academy, da qual é membro da mesma. É PhD pela Florida Christian University em Business Administration e concluiu o Associate Degree em Human Resources no Houston C. College, Houston, TX.
Participou do Advanced Management Program na França, no Institut Européen d’Administration des Affaires (INSEAD)/Fundação Dom Cabral, e é Pós-Graduado em Gestão de Negócios de Energia pela USP e FGV-SP. Foi professor universitário em Administração (Botucatu) e de Direito do Trabalho (UNIP São Paulo), além de palestrante no Brasil e no Exterior.
É autor dos seguintes livros: “Insights de um RH Estratégico” (2012); “Código de Ética: passo a passo para elaboração e implantação do Código (2018); “Medidas Disciplinares: Questões Legais e Gerenciais” (2019); “Terceirização” (2020); “Os desafios legais e de Gestão do Teletrabalho, Home Office e Regime Híbrido” (2022). Alfredo tem ainda várias publicações nas áreas de gestão empresarial, recursos humanos, trabalhista, sindicalismo, diversidade e ética empresarial.
José Firmino Ferreira Neto
MKA Madeira Kliauga Advogados
O escritório MKA foi criado em 2007 como um escritório boutique. O escritório presta serviços especializados nas áreas cível, trabalhista, contratual e esportiva, oferecendo atendimento de alta qualidade e segurança jurídica. Com sede em São Paulo, Brasil, o MKA é um escritório de advocacia premiado por sua atuação e profissionais.
Katia Madeira Kliauga Blaha, é sócia-fundadora do MKA Advogados. Kátia foi premiada dentre os advogados mais admirados do Brasil. Kátia possui forte atuação em negociação e contencioso internacional. Kátia atuou bancos, escritórios de advocacia americanos e europeus, bem como foi consultora do Banco Mundial. É especialista em Direito do Trabalho e Desportivo, aconselhando bancos, jogadores, clubes e patrocinadores. Katia também é sócia do MKA Sports Internacional, plataforma multidisciplinar esportiva, com filiais em São Paulo, Miami e Barcelona. Kátia cursou Direito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e completou seu Master of Laws na University of London, King’s College, London, UK.
O escritório MKA foi criado em 2007 como um escritório boutique. O escritório presta serviços especializados nas áreas cível, trabalhista, contratual e esportiva, oferecendo atendimento de alta qualidade e segurança jurídica. Com sede em São Paulo, Brasil, o MKA é um escritório de advocacia premiado por sua atuação e profissionais.
Katia Madeira Kliauga Blaha, é sócia-fundadora do MKA Advogados. Kátia foi premiada dentre os advogados mais admirados do Brasil. Kátia possui forte atuação em negociação e contencioso internacional. Kátia atuou bancos, escritórios de advocacia americanos e europeus, bem como foi consultora do Banco Mundial. É especialista em Direito do Trabalho e Desportivo, aconselhando bancos, jogadores, clubes e patrocinadores. Katia também é sócia do MKA Sports Internacional, plataforma multidisciplinar esportiva, com filiais em São Paulo, Miami e Barcelona. Kátia cursou Direito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e completou seu Master of Laws na University of London, King’s College, London, UK.
Rosana Candido de Aguiar
ROSANA CANDIDO DE AGUIAR é Psicóloga com MBA e Pós-graduação em Neuropsicologia e Desenvolvimento Cognitivo e MBA em Gestão de Pessoas, além de outras especializações (Certificada pelo Institut de Psychologie – Université de Lausanne – Suíça). Trabalhou no setor elétrico com empresas nacionais e multinacionais. Com vasta experiencia em políticas de recursos humanos, desenvolvendo e implementando estratégias de RH e iniciativas alinhadas com a estratégia de negócios da empresa. Sempre apoiou necessidades de negócios, futuras e atuais, através do desenvolvimento de pessoas e preservação do capital humano. Desenvolve e monitora estratégias gerais de RH, sistemas, táticas e procedimentos em toda a organização. Supervisiona e gerencia um sistema de avaliação do desempenho que motive o alto desempenho, avaliando as necessidades de treinamento para aplicação e monitoramento de programas de treinamento. Desenvolve e apoia lideranças com ações para promover melhorias nas habilidades técnicas e intrapessoais dos gestores. Foca na saúde mental dos colaboradores oferecendo cuidados emocional de qualidade para a empresa, alcançar aumento de produtividade e diminuir afastamentos, estimulando um ambiente de trabalho positivo.
Marta Nicoli
Mandl Immigration Law
Com mais de 15 anos de ampla experiência em Serviços Corporativos, Energia, Marketing e Gestão de projetos críticos, Marta Nicoli detém habilidades e experiência que se alinham perfeitamente aos requisitos de um mercado competitivo.
Ao desempenhar função na Superintendência Comercial da Light SA, uma importante concessionária de serviços de fornecimento de energia sediada no Rio de Janeiro, ocupando uma posição significativa que objetivava garantir a satisfação global do cliente de acordo com os padrões do órgão regulador, além de otimizar as operações da agência, teleatendimento, atendimento virtual e demais canais de trato com o cliente.
Como Gerente Geral responsável por essas áreas, gerenciou com sucesso as operações do dia a dia, contratou novos parceiros, atuou em projetos e implementação de soluções inovadoras. Sua expertise em gerenciamento de projetos e gerenciamento de relacionamento com o cliente lhe permitiu entregar resultados excepcionais enquanto fortalecia parcerias sólidas dentro da organização.
Nos Estados Unidos se adaptou as cobranças de um mercado global e arrojado, adquirindo compreensão das dinâmicas de negócios internacionais. Como Diretora de Projetos da TNS na Pennsylvania, liderou projetos startups para clientes renomados, como IBM, MARS, Pfizer e outros. Essa função aprimorou seu pensamento estratégico, habilidades de resolução de problemas e fortalecendo habilidades de liderança em um universo bastante peculiar e competitivo.
Atualmente, atua como Gerente Jurídico e Desenvolvimento de Negócios na Mandl Immigration Law em Houston, Texas e está associada a RH Estratégico como Consultora de Negócios. Possui conhecimento especializado em Consultoria Jurídica, Direito Ambiental, Corporativo e de Imigração.
Adicionalmente desempenhou atividades importantes que lhe conferiram vivência na formação de equipes, gerenciamento de logística offshore, de empresas de serviços de energia, petróleo e gás, escritórios jurídicos internacionais, operações de fusões e aquisições, direito do trabalho, conformidade a normas e estruturação de startups.
Esse conjunto diversificado de habilidades permite-lhe de forma singular, adotar uma abordagem holística e abrangente para projetos, garantindo seu sucesso e alinhamento com o objetivo das organizações.
Manoel Fernandes
Escritório Fernandes & Saraiva
A Fernandes Saraiva é uma sociedade de advogados que foi constituída em 2008 , que fixou a sua sede no coração de Vila Nova de Gaia.
Os advogados fundadores exercem advocacia a tempo inteiro há precisamente 25 anos.
Num estilo muito próprio, caracterizam o seu desempenho pelo pleno respeito das normas e princípios éticos da profissão, ostentando com orgulho a rectidão de actuação e o diálogo franco e sério com o cliente. Com especial enfoque na área laboral e contencioso contratual e na área de família e menores e demais ramos do direito com esta relacionados.
A Fernandes & Saraiva R.L, representada pela sua equipa está disponível, para todas as questões ou necessidades cuja competência possa servir os interesses do cliente.