
Escala 6 x 1 - Estamos discutindo a coisa errada
A escala 6×1 é um arranjo permitido pela Constituição brasileira: até 44 horas semanais, com um dia de descanso remunerado.
Não se trata de uma figura jurídica autônoma, mas de uma forma de distribuir a jornada em atividades que funcionam de maneira contínua, como comércio, serviços, indústria e saúde.
Desde que respeitados os limites constitucionais de jornada e descanso, trata-se simplesmente de uma das possíveis formas de organização do tempo de trabalho.
O debate atual sobre o fim da escala 6×1 se desenvolve por três caminhos distintos.
A PEC 148/2015, em tramitação no Senado, propõe reduzir a jornada máxima para 36 horas semanais, garantindo dois dias de descanso e, na prática, eliminando o modelo 6×1.
Na Câmara dos Deputados, a PEC 8/2025 propõe a chamada semana de quatro dias (4×3), também com jornada semanal de 36 horas.
Paralelamente, o Governo Federal anunciou o envio de um projeto de lei com urgência constitucional com o mesmo objetivo.
O tema, portanto, deixou de ser apenas uma discussão setorial e passou a ocupar o terreno da engenharia constitucional das relações de trabalho.
Quando se introduz a variável da produtividade no debate, a discussão ganha outra dimensão.
Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil ocupa a 94ª posição entre 184 países em produtividade do trabalho. A economia brasileira gera cerca de US$ 21,2 por hora trabalhada, número significativamente inferior ao observado em economias avançadas. Nos Estados Unidos, por exemplo, a produtividade ultrapassa US$ 80 por hora, enquanto no Japão supera US$ 50.
Em outras palavras, o país trabalha muitas horas ao longo do ano, mas produz relativamente pouco por hora.
Esse quadro aponta para um problema estrutural ligado a fatores como gestão, tecnologia, qualificação profissional e organização do trabalho e não, necessariamente, à quantidade de dias trabalhados.
Quem administra empresas ou operações no Brasil conhece bem essa realidade. O desafio cotidiano raramente é “quantos dias trabalhar”, mas como produzir melhor com as condições concretas de gestão, tecnologia e qualificação disponíveis.
É justamente nesse ponto que a discussão sobre jornada muitas vezes se distancia da realidade das empresas e dos próprios trabalhadores.
Quando se observa a experiência internacional, o padrão institucional é relativamente claro.
A legislação costuma estabelecer limites máximos de jornada e períodos mínimos de descanso, criando uma moldura jurídica básica. A organização concreta das escalas 5×2, 6×1, 4×3 ou 12×36 costuma ser definida por negociação coletiva, levando em consideração as características de cada setor.
Na União Europeia, por exemplo, a Diretiva 2003/88 estabelece um limite médio de 48 horas semanais, além de períodos mínimos de descanso diário e semanal. A definição de turnos e escalas é normalmente objeto de acordos coletivos.
França, Alemanha, Espanha e Japão seguem lógica semelhante: a lei estabelece os limites gerais, enquanto a negociação coletiva organiza os arranjos concretos de jornada.
Poucos países tentam constitucionalizar um único modelo de escala, justamente porque isso tende a reduzir a capacidade de adaptação da economia às especificidades de cada atividade.
No caso brasileiro, a própria Constituição já estabelece os pilares fundamentais do sistema.
Ela fixa o limite de 44 horas semanais, garante o repouso semanal remunerado e reconhece explicitamente acordos e convenções coletivas de trabalho.
Em outras palavras, o ordenamento jurídico já oferece instrumentos suficientes para que diferentes setores organizem suas jornadas de forma compatível com suas realidades produtivas.
O desafio talvez não esteja em criar novas regras constitucionais, mas em utilizar com mais intensidade os instrumentos já disponíveis, especialmente a negociação coletiva.
Impor um único modelo de jornada para um país continental como o Brasil, marcado por profundas diferenças regionais e por uma estrutura empresarial fortemente composta por pequenas e médias empresas, pode gerar distorções relevantes.
Dependendo do setor, isso pode significar aumento de custos operacionais, perda de competitividade e expansão da informalidade.
Ao longo de mais de três décadas conduzindo negociações coletivas em cinco empresas diferentes, esse tema sempre apareceu como objeto de negociação direta entre empresas e trabalhadores.
Em atividades com exigências muito distintas, como operações ininterruptas, jornadas ampliadas de atendimento ou funcionamento contínuo ao longo da semana, foram construídos diferentes modelos de escala, na maior parte fazendo ajustes através de negociação com os sindicatos representativos dos trabalhadores.
Em muitos casos, comissões representativas de empregados participaram diretamente da formulação dessas soluções.
Na prática, a experiência mostra que a negociação coletiva frequentemente encontra caminhos equilibrados entre as necessidades produtivas das empresas e as expectativas dos trabalhadores.
O Brasil não precisa necessariamente constitucionalizar o fim da escala 6×1.
O país precisa enfrentar seu verdadeiro desafio estrutural: a baixa produtividade do trabalho.
E esse problema dificilmente será resolvido apenas pela alteração do modelo de jornada. Ele passa por gestão, tecnologia, qualificação profissional e organização do trabalho. Havendo a melhoria da produtividade, a duração da jornada terá maior espaço para discussão e adequação.
A discussão sobre jornada é legítima. Mas transformar a Constituição em um manual detalhado de escalas pode não ser a resposta mais eficiente.
Talvez o debate precise deslocar o foco para outras perguntas:
É assim que operam as economias mais produtivas do mundo.
E é esse o debate que o Brasil ainda precisa avançar.
Se o principal problema do mercado de trabalho brasileiro é produtividade, e não necessariamente o modelo de escala, a pergunta final é inevitável: faz sentido constitucionalizar um único formato de jornada para todos os setores da economia? Ou seria mais eficiente fortalecer a negociação coletiva para que cada atividade construa sua própria solução, inclusive com a discussão da produtividade?
Kátia Madeira
MKA Madeira Kliauga Advogados
O escritório MKA foi criado em 2007 como um escritório boutique. O escritório presta serviços especializados nas áreas cível, trabalhista, contratual e esportiva, oferecendo atendimento de alta qualidade e segurança jurídica. Com sede em São Paulo, Brasil, o MKA é um escritório de advocacia premiado por sua atuação e profissionais.
Katia Madeira Kliauga Blaha, é sócia-fundadora do MKA Advogados. Kátia foi premiada dentre os advogados mais admirados do Brasil. Kátia possui forte atuação em negociação e contencioso internacional. Kátia atuou bancos, escritórios de advocacia americanos e europeus, bem como foi consultora do Banco Mundial. É especialista em Direito do Trabalho e Desportivo, aconselhando bancos, jogadores, clubes e patrocinadores. Katia também é sócia do MKA Sports Internacional, plataforma multidisciplinar esportiva, com filiais em São Paulo, Miami e Barcelona. Kátia cursou Direito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e completou seu Master of Laws na University of London, King’s College, London, UK.
Alfredo Bottone
RH Estratégico Consultoria
ALFREDO BOTTONE é especialista em Recursos Humanos, além de matemático e advogado especializado em Direito do Trabalho, Relações Sindicais, Governança Corporativa e Ética Empresarial, com vasta exposição nacional e internacional nas áreas de atuação.
Atualmente, é consultor e professor de Governança Corporativa no MBA da FACEAT/SP e em curso de Formação de Conselheiros da Board Academy, da qual é membro da mesma. É PhD pela Florida Christian University em Business Administration e concluiu o Associate Degree em Human Resources no Houston C. College, Houston, TX.
Participou do Advanced Management Program na França, no Institut Européen d’Administration des Affaires (INSEAD)/Fundação Dom Cabral, e é Pós-Graduado em Gestão de Negócios de Energia pela USP e FGV-SP. Foi professor universitário em Administração (Botucatu) e de Direito do Trabalho (UNIP São Paulo), além de palestrante no Brasil e no Exterior.
É autor dos seguintes livros: “Insights de um RH Estratégico” (2012); “Código de Ética: passo a passo para elaboração e implantação do Código (2018); “Medidas Disciplinares: Questões Legais e Gerenciais” (2019); “Terceirização” (2020); “Os desafios legais e de Gestão do Teletrabalho, Home Office e Regime Híbrido” (2022). Alfredo tem ainda várias publicações nas áreas de gestão empresarial, recursos humanos, trabalhista, sindicalismo, diversidade e ética empresarial.
José Firmino Ferreira Neto
MKA Madeira Kliauga Advogados
O escritório MKA foi criado em 2007 como um escritório boutique. O escritório presta serviços especializados nas áreas cível, trabalhista, contratual e esportiva, oferecendo atendimento de alta qualidade e segurança jurídica. Com sede em São Paulo, Brasil, o MKA é um escritório de advocacia premiado por sua atuação e profissionais.
Katia Madeira Kliauga Blaha, é sócia-fundadora do MKA Advogados. Kátia foi premiada dentre os advogados mais admirados do Brasil. Kátia possui forte atuação em negociação e contencioso internacional. Kátia atuou bancos, escritórios de advocacia americanos e europeus, bem como foi consultora do Banco Mundial. É especialista em Direito do Trabalho e Desportivo, aconselhando bancos, jogadores, clubes e patrocinadores. Katia também é sócia do MKA Sports Internacional, plataforma multidisciplinar esportiva, com filiais em São Paulo, Miami e Barcelona. Kátia cursou Direito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e completou seu Master of Laws na University of London, King’s College, London, UK.
O escritório MKA foi criado em 2007 como um escritório boutique. O escritório presta serviços especializados nas áreas cível, trabalhista, contratual e esportiva, oferecendo atendimento de alta qualidade e segurança jurídica. Com sede em São Paulo, Brasil, o MKA é um escritório de advocacia premiado por sua atuação e profissionais.
Katia Madeira Kliauga Blaha, é sócia-fundadora do MKA Advogados. Kátia foi premiada dentre os advogados mais admirados do Brasil. Kátia possui forte atuação em negociação e contencioso internacional. Kátia atuou bancos, escritórios de advocacia americanos e europeus, bem como foi consultora do Banco Mundial. É especialista em Direito do Trabalho e Desportivo, aconselhando bancos, jogadores, clubes e patrocinadores. Katia também é sócia do MKA Sports Internacional, plataforma multidisciplinar esportiva, com filiais em São Paulo, Miami e Barcelona. Kátia cursou Direito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e completou seu Master of Laws na University of London, King’s College, London, UK.
Rosana Candido de Aguiar
ROSANA CANDIDO DE AGUIAR é Psicóloga com MBA e Pós-graduação em Neuropsicologia e Desenvolvimento Cognitivo e MBA em Gestão de Pessoas, além de outras especializações (Certificada pelo Institut de Psychologie – Université de Lausanne – Suíça). Trabalhou no setor elétrico com empresas nacionais e multinacionais. Com vasta experiencia em políticas de recursos humanos, desenvolvendo e implementando estratégias de RH e iniciativas alinhadas com a estratégia de negócios da empresa. Sempre apoiou necessidades de negócios, futuras e atuais, através do desenvolvimento de pessoas e preservação do capital humano. Desenvolve e monitora estratégias gerais de RH, sistemas, táticas e procedimentos em toda a organização. Supervisiona e gerencia um sistema de avaliação do desempenho que motive o alto desempenho, avaliando as necessidades de treinamento para aplicação e monitoramento de programas de treinamento. Desenvolve e apoia lideranças com ações para promover melhorias nas habilidades técnicas e intrapessoais dos gestores. Foca na saúde mental dos colaboradores oferecendo cuidados emocional de qualidade para a empresa, alcançar aumento de produtividade e diminuir afastamentos, estimulando um ambiente de trabalho positivo.
Marta Nicoli
Mandl Immigration Law
Com mais de 15 anos de ampla experiência em Serviços Corporativos, Energia, Marketing e Gestão de projetos críticos, Marta Nicoli detém habilidades e experiência que se alinham perfeitamente aos requisitos de um mercado competitivo.
Ao desempenhar função na Superintendência Comercial da Light SA, uma importante concessionária de serviços de fornecimento de energia sediada no Rio de Janeiro, ocupando uma posição significativa que objetivava garantir a satisfação global do cliente de acordo com os padrões do órgão regulador, além de otimizar as operações da agência, teleatendimento, atendimento virtual e demais canais de trato com o cliente.
Como Gerente Geral responsável por essas áreas, gerenciou com sucesso as operações do dia a dia, contratou novos parceiros, atuou em projetos e implementação de soluções inovadoras. Sua expertise em gerenciamento de projetos e gerenciamento de relacionamento com o cliente lhe permitiu entregar resultados excepcionais enquanto fortalecia parcerias sólidas dentro da organização.
Nos Estados Unidos se adaptou as cobranças de um mercado global e arrojado, adquirindo compreensão das dinâmicas de negócios internacionais. Como Diretora de Projetos da TNS na Pennsylvania, liderou projetos startups para clientes renomados, como IBM, MARS, Pfizer e outros. Essa função aprimorou seu pensamento estratégico, habilidades de resolução de problemas e fortalecendo habilidades de liderança em um universo bastante peculiar e competitivo.
Atualmente, atua como Gerente Jurídico e Desenvolvimento de Negócios na Mandl Immigration Law em Houston, Texas e está associada a RH Estratégico como Consultora de Negócios. Possui conhecimento especializado em Consultoria Jurídica, Direito Ambiental, Corporativo e de Imigração.
Adicionalmente desempenhou atividades importantes que lhe conferiram vivência na formação de equipes, gerenciamento de logística offshore, de empresas de serviços de energia, petróleo e gás, escritórios jurídicos internacionais, operações de fusões e aquisições, direito do trabalho, conformidade a normas e estruturação de startups.
Esse conjunto diversificado de habilidades permite-lhe de forma singular, adotar uma abordagem holística e abrangente para projetos, garantindo seu sucesso e alinhamento com o objetivo das organizações.
Manoel Fernandes
Escritório Fernandes & Saraiva
A Fernandes Saraiva é uma sociedade de advogados que foi constituída em 2008 , que fixou a sua sede no coração de Vila Nova de Gaia.
Os advogados fundadores exercem advocacia a tempo inteiro há precisamente 25 anos.
Num estilo muito próprio, caracterizam o seu desempenho pelo pleno respeito das normas e princípios éticos da profissão, ostentando com orgulho a rectidão de actuação e o diálogo franco e sério com o cliente. Com especial enfoque na área laboral e contencioso contratual e na área de família e menores e demais ramos do direito com esta relacionados.
A Fernandes & Saraiva R.L, representada pela sua equipa está disponível, para todas as questões ou necessidades cuja competência possa servir os interesses do cliente.