Liderar quando a maturidade deixou de ser linear - RH Estratégico Consultoria

Liderar quando a maturidade deixou de ser linear

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Liderar quando a maturidade deixou de ser linear

Liderar quando a maturidade deixou de ser linear

Liderar quando a maturidade deixou de ser linear

O novo contexto da liderança

A liderança contemporânea se desenvolve em um ambiente radicalmente distinto daquele de 10 ou 20 anos atrás. A aceleração tecnológica encurtou ciclos de decisão, aumentou a pressão por resultados e reduziu a tolerância a erros. Paralelamente, as organizações passaram a conviver com equipes verdadeiramente multigeracionais, compostas por profissionais formados em contextos históricos, culturais e tecnológicos muito diferentes.

Hoje, não se trata apenas de liderar pessoas, trata-se de liderar ritmos, expectativas e formas distintas de se relacionar com o trabalho.

Gerações diferentes, lógicas diferentes

Em uma mesma equipe convivem profissionais que:

  • Iniciaram a carreira em ambientes hierárquicos, estáveis e previsíveis;
  • Amadureceram em modelos mais flexíveis, orientados a metas;
  • Cresceram em um mundo digital, imediato, conectado e altamente responsivo.

Essas experiências moldaram visões diferentes sobre autoridade, feedback, tempo de resposta, autonomia e propósito. O desafio da liderança não está na coexistência dessas gerações, mas na suposição equivocada de que todas respondem bem ao mesmo estilo de condução.

Por que a maturidade deixou de ser um conceito estável

A teoria da liderança situacional, desenvolvida por Paul Hersey, permanece atual ao afirmar que quanto maior a maturidade do colaborador, menor deve ser a intensidade da supervisão. O que mudou foi o significado prático dessa maturidade.

Hoje, é comum encontrar:

  • Profissionais jovens com elevada maturidade digital e técnica, mas menor tolerância à frustração ou aos tempos organizacionais;
  • Profissionais seniores com forte maturidade emocional e visão sistêmica, mas que podem oscilar diante de mudanças aceleradas ou novas tecnologias;
  • Talentos altamente performáticos que transitam entre confiança e insegurança em ciclos curtos.

A maturidade deixou de ser linear, previsível ou permanente. Tornou-se situacional, fluida e dinâmica.

O erro mais comum dos líderes

Diante dessa instabilidade, muitos líderes recorrem a dois caminhos extremos:

  • Aumentam o controle, acreditando estar garantindo alinhamento e acabam produzindo microgerenciamento, desengajamento e perda de autonomia.
  • Delegam integralmente, com base apenas na senioridade ou na competência técnica, ignorando o momento emocional, o contexto da tarefa e as expectativas geracionais.

Ambos os movimentos tendem a fragilizar o relacionamento, reduzir a confiança e comprometer a performance no médio prazo.

A verdadeira ponte entre gerações e estilos

Liderar equipes multigeracionais exige abandonar a ideia de um “estilo correto” e desenvolver repertório comportamental. A liderança eficaz hoje é aquela que sabe transitar entre estilos, mantendo coerência de valores.

Na prática, isso significa:

Liderança situacional em ciclos curtos

A base continua válida, mas aplicada com ajustes frequentes. O líder observa não apenas quem é o colaborador, mas em que momento ele está, e ajusta direção e apoio de forma contínua.

Liderança coaching como linguagem comum

Especialmente eficaz para gerações mais jovens, o estilo coaching transforma pressa em desenvolvimento. Feedback frequente, perguntas bem formuladas e clareza de expectativas criam autonomia sem perda de alinhamento.

Liderança adaptativa para contextos complexos

Em ambientes multigeracionais, muitos desafios não têm resposta pronta. O líder adaptativo não entrega soluções, mas cria condições para que o time aprenda, experimente e amadureça coletivamente.

Liderança humanizada como competência estratégica

Diferentes gerações lidam de forma distinta com pressão, insegurança e mudanças. Equilibrar exigência e cuidado deixou de ser uma escolha pessoal e passou a ser um fator de sustentabilidade do desempenho.

Liderança digital como ponte

Mais do que dominar ferramentas, trata-se de adotar uma mentalidade de transparência, dados, comunicação clara e colaboração. Essa liderança reduz assimetrias geracionais e fortalece a confiança.

O papel da alta liderança

Para CEOs e lideranças seniores, torna-se fundamental compreender que delegar não é apenas transferir o “o quê”. Em muitos momentos, é necessário apoiar o “como emocional”, respeitando diferenças geracionais sem perder coerência e direção.

Isso não significa controlar mais, nem flexibilizar demais. Significa ajustar o estilo sem abrir mão de princípios.

Conclusão

O líder contemporâneo se assemelha a um sistema operacional: permite que diferentes estilos “rodem” conforme o contexto, mantendo constantes os valores, a ética e o propósito organizacional.

Talvez esse seja o maior desafio da liderança hoje: não controlar pessoas, mas compreender movimentos humanos diversos em ambientes que mudam o tempo todo.