Queda Livre — A Tragédia do Caso Boing: quando a cultura organizacional entra em rota de colisão - RH Estratégico Consultoria

Queda Livre — A Tragédia do Caso Boing: quando a cultura organizacional entra em rota de colisão

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Queda Livre — A Tragédia do Caso Boing: quando a cultura organizacional entra em rota de colisão

Queda Livre A Tragédia do Caso Boing quando a cultura organizacional entra em rota de colisão

Queda Livre A Tragédia do Caso Boing quando a cultura organizacional entra em rota de colisão

Em 2018 e 2019, dois aviões Boeing 737 MAX caíram poucos minutos após a decolagem, matando 346 pessoas e chocando o mundo. A sequência dessas duas tragédias expôs algo muito maior do que falhas técnicas: revelou os bastidores de um modelo de gestão que havia se afastado da essência que sustentou décadas de excelência.

Esses acidentes não foram apenas acidentes. Foram sintomas.

Mas o que realmente levou uma empresa centenária, admirada globalmente, a entrar em queda livre? O documentário traz pistas e muitas perguntas que ainda ecoam.

Hoje, deixo aqui reflexões, não respostas. Convites, não conclusões. A provocação é simples: assista ao documentário e veja o que você mesmo enxerga como causa e consequência.

10 pontos que o documentário levanta e que merecem atenção profunda

Não são verdades absolutas, mas razões possíveis que aparecem nas análises, depoimentos, reportagens e investigações citadas no filme:

  1. Pressão extrema por resultados trimestrais.
  2. Cultura de medo e silenciamento dos engenheiros.
  3. Substituição gradual da engenharia pela lógica financeira.
  4. Corte de custos que comprometeu testes e validações essenciais.
  5. Comunicação interna deficiente entre liderança, engenharia e segurança.
  6. Falta de transparência com reguladores e com as próprias companhias aéreas.
  7. Conflitos de interesse na certificação das aeronaves.
  8. Decisões executivas desconectadas da realidade operacional.
  9. Ignorar alertas internos que indicavam falhas críticas.
  10. Valores da empresa descaracterizados ao longo dos anos, cultura tóxica institucionalizada.

E fica a pergunta central: quem deveria ter sido responsabilizado? A empresa? Os diretores? O conselho? A agência reguladora? Ou a própria cultura que todos deixaram prosperar?

E você? Já viveu algo assim?

Já trabalhou em um ambiente onde decisões perigosas eram normalizadas? Onde falar a verdade era arriscado? Onde metas importavam mais que pessoas?

Se estivesse lá quando os aviões caíram… você teria coragem de trabalhar na Boeing naquele período? Em uma versão de produto considerada segura no papel, mas que levantava questionamentos técnicos silenciosos nos corredores?

Gestão tóxica: o que acontece quando empresas ignoram o óbvio

O caso Boeing se junta a outros exemplos de destruição corporativa causada por escolhas internas:

  • Empresas que priorizaram margem e esconderam dívidas até colapsar.
  • Organizações que negligenciaram controles e culminaram em fraudes bilionárias.
  • Corporações que desvalorizaram talentos críticos até perderem toda a capacidade de inovar.
  • Líderes que construíram culturas punitivas e sufocaram informações essenciais.

Em todos os casos, o ponto de ruptura não veio de fora. Nasceu dentro.

E se a Boeing tivesse optado pelo caminho mais difícil?

Imagine que, naquele momento, a empresa decidisse fazer o impensável:

Renovar todo o conselho,
Demitir toda a diretoria,
E reconstruir a cultura a partir de um marco zero.

Como seria um plano de resgate para restaurar o clima interno e devolver ao mundo a confiança na marca?

Aqui vai uma provocação de plano incompleto de propósito, para você refletir:

  1. Reconstrução cultural radical
  • Revisão completa dos valores corporativos com participação dos funcionários.
  • Fim da lógica do medo e abertura de canais de denúncia realmente protetivos.
  1. Reposição do protagonismo da engenharia
  • Engenheiros com poder real nas decisões de projeto.
  • Auditorias técnicas independentes e contínuas.
  1. Transparência sem precedentes
  • Divulgação pública dos processos de certificação.
  • Relatórios periódicos sobre segurança e integridade operacional.
  1. Reconquista do clima interno
  • Escutas internas semanais sobre pressões, riscos e falhas.
  • Plano de desenvolvimento para líderes com foco em ética e segurança psicológica.
  1. Reposicionamento global da marca
  • Compromissos públicos verificáveis.
  • Parceria com reguladores e universidades para criar novos padrões internacionais.

Nada disso seria rápido. Nada disso seria simples. Mas tragédias como aquelas mostram que não fazer nada custa infinitamente mais.

Para concluir (ou começar):

O documentário Queda Livre – a Tragédia do caso Boeing não é apenas sobre aviação. É sobre liderança, ética, pressão, gestão tóxica e a linha tênue entre sucesso e desastre.

A pergunta que deixo é: O que acontece com uma empresa quando o lucro se torna mais importante do que a vida?

Convido você a assistir a esse excelente documentário (Queda Livre: A Tragédia do Caso Boing – Netflix) e tirar suas próprias conclusões.

E você, o que aprendeu com esse caso? O que você mudaria se estivesse no comando?