

Embora tenha sido presidente de dois conselhos e membro de um outro, vou destacar a minha experiência como presidente do Conselho de Curadores da Fundação CESP, entre 1999 e 2003, o qual era composto por 18 (dezoito) membros, sendo 9 (nove) representantes das empresas patrocinadoras e 9 (nove) representantes eleitos entre empregados (7) e aposentados (2).
Essa reformulação ocorreu quando as empresas de energia do Estado de São Paulo foram, na sua maioria, privatizadas e essa composição decorreu de um acordo entre as companhias e os sindicatos em função da mudança dos planos de benefício definido para contribuição definida, deixando as empresas de terem maioria de 2/3 no conselho. Sem essa alteração, teria sido quase impossível fazer a mudança dos planos da forma citada.
Fui nomeado pelas duas partes e o grande desafio era conciliar interesses difusos em matérias em que, estatutariamente, a aprovação tinha de ser por maioria qualificada, o que só era possível mediante muita argumentação, concessões recíprocas e respeito às divergências de opiniões.
Nessa época, o capital da Fundação CESP era aproximadamente R$ 15 (quinze) bilhões. Um dos grandes desafios era manter o superávit dos planos, mesmo diante de conjunturas econômicas não tão favoráveis, com a alocação dos investimentos de acordo com a política que era aprovada pelo Conselho (tema de debates muito intensos), outro grande desafio era continuar a efetuar a mudança de planos de empresas que ainda não tinham feito essa transição para contribuição definida. Também o orçamento era um ponto crucial, onde a redução dos custos para a administração dos planos era imperativa, bem como para a gestão dos benefícios (notadamente assistência médica).
A nossa jornada nesse desafio
A jornada de um conselheiro, especialmente em um órgão de tamanha relevância e complexidade como o Conselho de Curadores da Fundação CESP, é um terreno fértil para a colheita de aprendizados significativos e o enfrentamento de desafios notáveis. A minha experiência, ancorada na posição de presidente desse conselho heterogêneo, mas com um divisor claro entre empresas e empregados/aposentados, ofereceu uma perspectiva única sobre a intricada teia de interesses e expectativas que definem esse ambiente.
A reformulação do conselho ocorreu em um contexto de privatizações massivas no setor de energia, o que levou a uma reestruturação dos planos de benefício de definidos para contributivos, alterando significativamente a dinâmica e o equilíbrio de poder dentro do conselho. Essa nova composição, fruto de um delicado acordo entre empresas e sindicatos, colocou um fim à antiga maioria de dois terços detida pelas empresas, inaugurando uma era de negociações mais equânimes, porém, muito desafiadores. Na composição anterior, como as empresas detinham 2/3 do conselho (era composto apenas por 9 membros) todas as matérias que exigiam aprovação por maioria qualificada, as empresas não tinham nenhuma dificuldade em fazê-lo.
Agora, o cenário era outro. Ninguém tinha maioria qualificada e sem uma exaustiva discussão, convencimento dos membros e conciliação tudo ficaria imutável e sob risco de criação de déficits incontroláveis. Contudo, os membros tinham consciência da responsabilidade que pesava sobre cada um, pois sendo estatutários não podiam se esquivar de decidir e com a certeza de que estariam fazendo para o interesse do coletivo, para preservar a instituição Fundação CESP.
Assumir a presidência sob tais circunstâncias foi adentrar um cenário repleto de expectativas cruzadas e opiniões divergentes. O desafio central era encontrar um terreno comum onde interesses tão difusos pudessem convergir para decisões que exigiam uma maioria qualificada. A arte da negociação, nesse contexto, transcendia a mera argumentação lógica, demandando uma sensibilidade aguçada para concessões recíprocas e um respeito profundo pelas divergências de opinião.
As reuniões do conselho eram palcos onde o drama humano se desenrolava em toda a sua complexidade. Diante de divergências mais acirradas, era comum adotar uma pausa estratégica, permitindo-me tempo para dialogar com as partes envolvidas em separado, em busca de uma compreensão mais profunda das suas posições e expectativas. A escuta ativa e a empática eram mais do que necessárias. Em outros momentos, recorríamos à sabedoria de especialistas neutros, cujos estudos aprofundados nos guiavam por caminhos antes nebulosos, facilitando a tomada de decisões informadas.
Por trás dos números e das planilhas de orçamento, que invariavelmente eram fonte de considerável estresse, havia uma constante busca por equilíbrio e justiça. As negociações, por mais tensas que fossem, eram também momentos de aprendizado e crescimento coletivo. E, contra todas as expectativas, conseguimos, durante os quatro anos do meu mandato, não apenas superar as divergências, mas também alcançar superávits nas contas, um testemunho da capacidade humana de encontrar soluções colaborativas mesmo nas situações mais desafiadoras.
Devo referenciar que a Diretoria da Fundação CESP, recém contratada no mercado, onde fizemos parte do processo seletivo, demonstrou muita competência técnica e emocional diante dos mais difíceis desafios. Ninguém faz nada sozinho e a posição de Presidente de um Conselho não deve ser regido pelo poder de posição, mas pelo pessoal, transigindo e agregando pessoas em torno de um interesse comum.
Essa experiência no Conselho de Curadores da Fundação CESP foi uma jornada de intensos aprendizados sobre a natureza humana, a importância da empatia e do respeito mútuo, e o poder da negociação cuidadosa e considerada. Ao refletir sobre os desafios enfrentados e as vitórias alcançadas, fica claro que, mesmo nos contextos mais adversos, é possível gerar consensos e avançar coletivamente, um testemunho da resiliência e da adaptabilidade que definem a jornada de um conselheiro.
Em momentos de impasse, minha bússola era o diálogo. Conversas individuais, busca por especialistas e tempo para reflexão acalmavam as águas e abriam caminho para o consenso.
A cada orçamento, a mesma batalha: garantir o equilíbrio entre as necessidades da Fundação e os recursos disponíveis. Uma dança delicada, onde cada passo precisava ser cuidadosamente medido.
E no fim, o saldo positivo: superávit nas contas e a certeza de que, juntos, havíamos superado os desafios e construído um futuro sólido para a instituição.
Mas nem tudo era tensão. Havia espaço para leveza e humor, ingredientes essenciais para manter o clima positivo e fortalecer os laços entre os membros do Conselho.
Ao final dos meus quatro anos de mandato, olhei para trás com orgulho e gratidão. A jornada de um conselheiro é uma montanha-russa de emoções, mas a recompensa de contribuir para o bem-estar de uma instituição é inestimável.
Conclusão
Momentos dramáticos e outros de leveza:
Acima de tudo, a jornada de um conselheiro é uma história de união, resiliência e compromisso com o futuro. Uma aventura que transforma desafios em oportunidades e constrói um legado duradouro.
Dicas para futuros conselheiros:
Lembre-se: a jornada de um conselheiro é uma oportunidade única de fazer a diferença.
Alfredo Bottone é Matemático, Advogado, Professor em MBA de Governança Corporativa e do Curso de Formação de Conselheiros Consultivos, Consultor de RH Estratégico, Ética Empresarial, Relações Trabalhistas e em Desenvolvimento de Lideranças e de Profissionais de RH. É Ph.D., Philosophy in Business Administration (USA). É autor de livros, entre eles “Insights de um RH Estratégico” e “Os desafios legais e de gestão do teletrabalho, home office e regime híbrido”, além de vários artigos. É membro da Board Academy no Brasil e associado do SHRM (Society for Human Resources Management) nos Estados Unidos.
Kátia Madeira
MKA Madeira Kliauga Advogados
O escritório MKA foi criado em 2007 como um escritório boutique. O escritório presta serviços especializados nas áreas cível, trabalhista, contratual e esportiva, oferecendo atendimento de alta qualidade e segurança jurídica. Com sede em São Paulo, Brasil, o MKA é um escritório de advocacia premiado por sua atuação e profissionais.
Katia Madeira Kliauga Blaha, é sócia-fundadora do MKA Advogados. Kátia foi premiada dentre os advogados mais admirados do Brasil. Kátia possui forte atuação em negociação e contencioso internacional. Kátia atuou bancos, escritórios de advocacia americanos e europeus, bem como foi consultora do Banco Mundial. É especialista em Direito do Trabalho e Desportivo, aconselhando bancos, jogadores, clubes e patrocinadores. Katia também é sócia do MKA Sports Internacional, plataforma multidisciplinar esportiva, com filiais em São Paulo, Miami e Barcelona. Kátia cursou Direito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e completou seu Master of Laws na University of London, King’s College, London, UK.
Alfredo Bottone
RH Estratégico Consultoria
ALFREDO BOTTONE é especialista em Recursos Humanos, além de matemático e advogado especializado em Direito do Trabalho, Relações Sindicais, Governança Corporativa e Ética Empresarial, com vasta exposição nacional e internacional nas áreas de atuação.
Atualmente, é consultor e professor de Governança Corporativa no MBA da FACEAT/SP e em curso de Formação de Conselheiros da Board Academy, da qual é membro da mesma. É PhD pela Florida Christian University em Business Administration e concluiu o Associate Degree em Human Resources no Houston C. College, Houston, TX.
Participou do Advanced Management Program na França, no Institut Européen d’Administration des Affaires (INSEAD)/Fundação Dom Cabral, e é Pós-Graduado em Gestão de Negócios de Energia pela USP e FGV-SP. Foi professor universitário em Administração (Botucatu) e de Direito do Trabalho (UNIP São Paulo), além de palestrante no Brasil e no Exterior.
É autor dos seguintes livros: “Insights de um RH Estratégico” (2012); “Código de Ética: passo a passo para elaboração e implantação do Código (2018); “Medidas Disciplinares: Questões Legais e Gerenciais” (2019); “Terceirização” (2020); “Os desafios legais e de Gestão do Teletrabalho, Home Office e Regime Híbrido” (2022). Alfredo tem ainda várias publicações nas áreas de gestão empresarial, recursos humanos, trabalhista, sindicalismo, diversidade e ética empresarial.
José Firmino Ferreira Neto
MKA Madeira Kliauga Advogados
O escritório MKA foi criado em 2007 como um escritório boutique. O escritório presta serviços especializados nas áreas cível, trabalhista, contratual e esportiva, oferecendo atendimento de alta qualidade e segurança jurídica. Com sede em São Paulo, Brasil, o MKA é um escritório de advocacia premiado por sua atuação e profissionais.
Katia Madeira Kliauga Blaha, é sócia-fundadora do MKA Advogados. Kátia foi premiada dentre os advogados mais admirados do Brasil. Kátia possui forte atuação em negociação e contencioso internacional. Kátia atuou bancos, escritórios de advocacia americanos e europeus, bem como foi consultora do Banco Mundial. É especialista em Direito do Trabalho e Desportivo, aconselhando bancos, jogadores, clubes e patrocinadores. Katia também é sócia do MKA Sports Internacional, plataforma multidisciplinar esportiva, com filiais em São Paulo, Miami e Barcelona. Kátia cursou Direito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e completou seu Master of Laws na University of London, King’s College, London, UK.
O escritório MKA foi criado em 2007 como um escritório boutique. O escritório presta serviços especializados nas áreas cível, trabalhista, contratual e esportiva, oferecendo atendimento de alta qualidade e segurança jurídica. Com sede em São Paulo, Brasil, o MKA é um escritório de advocacia premiado por sua atuação e profissionais.
Katia Madeira Kliauga Blaha, é sócia-fundadora do MKA Advogados. Kátia foi premiada dentre os advogados mais admirados do Brasil. Kátia possui forte atuação em negociação e contencioso internacional. Kátia atuou bancos, escritórios de advocacia americanos e europeus, bem como foi consultora do Banco Mundial. É especialista em Direito do Trabalho e Desportivo, aconselhando bancos, jogadores, clubes e patrocinadores. Katia também é sócia do MKA Sports Internacional, plataforma multidisciplinar esportiva, com filiais em São Paulo, Miami e Barcelona. Kátia cursou Direito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e completou seu Master of Laws na University of London, King’s College, London, UK.
Rosana Candido de Aguiar
ROSANA CANDIDO DE AGUIAR é Psicóloga com MBA e Pós-graduação em Neuropsicologia e Desenvolvimento Cognitivo e MBA em Gestão de Pessoas, além de outras especializações (Certificada pelo Institut de Psychologie – Université de Lausanne – Suíça). Trabalhou no setor elétrico com empresas nacionais e multinacionais. Com vasta experiencia em políticas de recursos humanos, desenvolvendo e implementando estratégias de RH e iniciativas alinhadas com a estratégia de negócios da empresa. Sempre apoiou necessidades de negócios, futuras e atuais, através do desenvolvimento de pessoas e preservação do capital humano. Desenvolve e monitora estratégias gerais de RH, sistemas, táticas e procedimentos em toda a organização. Supervisiona e gerencia um sistema de avaliação do desempenho que motive o alto desempenho, avaliando as necessidades de treinamento para aplicação e monitoramento de programas de treinamento. Desenvolve e apoia lideranças com ações para promover melhorias nas habilidades técnicas e intrapessoais dos gestores. Foca na saúde mental dos colaboradores oferecendo cuidados emocional de qualidade para a empresa, alcançar aumento de produtividade e diminuir afastamentos, estimulando um ambiente de trabalho positivo.
Marta Nicoli
Mandl Immigration Law
Com mais de 15 anos de ampla experiência em Serviços Corporativos, Energia, Marketing e Gestão de projetos críticos, Marta Nicoli detém habilidades e experiência que se alinham perfeitamente aos requisitos de um mercado competitivo.
Ao desempenhar função na Superintendência Comercial da Light SA, uma importante concessionária de serviços de fornecimento de energia sediada no Rio de Janeiro, ocupando uma posição significativa que objetivava garantir a satisfação global do cliente de acordo com os padrões do órgão regulador, além de otimizar as operações da agência, teleatendimento, atendimento virtual e demais canais de trato com o cliente.
Como Gerente Geral responsável por essas áreas, gerenciou com sucesso as operações do dia a dia, contratou novos parceiros, atuou em projetos e implementação de soluções inovadoras. Sua expertise em gerenciamento de projetos e gerenciamento de relacionamento com o cliente lhe permitiu entregar resultados excepcionais enquanto fortalecia parcerias sólidas dentro da organização.
Nos Estados Unidos se adaptou as cobranças de um mercado global e arrojado, adquirindo compreensão das dinâmicas de negócios internacionais. Como Diretora de Projetos da TNS na Pennsylvania, liderou projetos startups para clientes renomados, como IBM, MARS, Pfizer e outros. Essa função aprimorou seu pensamento estratégico, habilidades de resolução de problemas e fortalecendo habilidades de liderança em um universo bastante peculiar e competitivo.
Atualmente, atua como Gerente Jurídico e Desenvolvimento de Negócios na Mandl Immigration Law em Houston, Texas e está associada a RH Estratégico como Consultora de Negócios. Possui conhecimento especializado em Consultoria Jurídica, Direito Ambiental, Corporativo e de Imigração.
Adicionalmente desempenhou atividades importantes que lhe conferiram vivência na formação de equipes, gerenciamento de logística offshore, de empresas de serviços de energia, petróleo e gás, escritórios jurídicos internacionais, operações de fusões e aquisições, direito do trabalho, conformidade a normas e estruturação de startups.
Esse conjunto diversificado de habilidades permite-lhe de forma singular, adotar uma abordagem holística e abrangente para projetos, garantindo seu sucesso e alinhamento com o objetivo das organizações.
Manoel Fernandes
Escritório Fernandes & Saraiva
A Fernandes Saraiva é uma sociedade de advogados que foi constituída em 2008 , que fixou a sua sede no coração de Vila Nova de Gaia.
Os advogados fundadores exercem advocacia a tempo inteiro há precisamente 25 anos.
Num estilo muito próprio, caracterizam o seu desempenho pelo pleno respeito das normas e princípios éticos da profissão, ostentando com orgulho a rectidão de actuação e o diálogo franco e sério com o cliente. Com especial enfoque na área laboral e contencioso contratual e na área de família e menores e demais ramos do direito com esta relacionados.
A Fernandes & Saraiva R.L, representada pela sua equipa está disponível, para todas as questões ou necessidades cuja competência possa servir os interesses do cliente.