Ostracismo forçado: o que é e os perigos dessa prática

Ostracismo forçado: o que é e quais são os perigos desta prática

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Ostracismo forçado: o que é e quais são os perigos desta prática

pessoa pensando sobre o ostracismo

Nos últimos anos, o cenário trabalhista passou por transformações drásticas, impulsionadas por eventos como a pandemia e as subsequentes demissões em massa. Em meio a esse contexto, muitas empresas têm adotado uma estratégia conhecida como ostracismo forçado

Essa abordagem, embora sutil, representa um desafio significativo para os funcionários e pode ter consequências profundas para a saúde mental e o clima organizacional. Quer saber mais sobre este tema? Continue a leitura e entenda!

O que é o ostracismo forçado?

O ostracismo forçado refere-se à prática em que empresas realocam funcionários, frequentemente em cargos intermediários, para funções que não correspondem às suas habilidades ou interesses, ou o que foi previamente acordado com o profissional.

A intenção é criar um ambiente de trabalho desconfortável, levando o funcionário a pedir demissão por conta própria, ao invés de proceder com uma demissão formal. 

Essa tática permite que a empresa evite custos com indenizações e complicações legais associadas a demissões tradicionais.

Os profissionais mais vulneráveis a essa prática são aqueles que, embora recebam salários acima da média, não têm responsabilidades diretas sobre a gestão de equipes. 

Eles se tornam alvos fáceis, sendo frequentemente movidos para áreas distantes de suas competências, o que pode gerar frustração e estresse. O que se observa é uma pressão passiva-agressiva, onde a mensagem implícita é clara: “ou você se conforma com a nova situação, ou você sairá”.

Os perigos do ostracismo forçado

O uso dessa tática pelas empresas apresenta diversos perigos. Em primeiro lugar, ela impacta negativamente a saúde mental dos funcionários. 

Estudos mostram que ambientes de trabalho hostis e desconfortáveis podem levar a altos níveis de estresse, ansiedade e depressão. 

Funcionários que se sentem desvalorizados ou isolados tendem a sofrer de queda na autoestima, o que pode afetar sua produtividade e, consequentemente, o desempenho da empresa.

Além disso, essa prática contribui para a erosão da confiança entre os funcionários e a liderança. Quando os colaboradores percebem que suas trajetórias profissionais podem ser manipuladas para forçá-los a sair, isso cria um clima de desconfiança e insegurança. 

A transparência nas relações de trabalho é fundamental para um ambiente saudável e colaborativo; quando essa transparência é comprometida, a cultura organizacional pode se deteriorar rapidamente.

Outro risco é a possível fuga de talentos e rotatividade de pessoal. Funcionários que se sentem empurrados para fora da empresa podem levar consigo habilidades valiosas e conhecimentos acumulados, o que representa uma perda significativa para a organização. 

Essa rotatividade não intencional pode prejudicar projetos em andamento e desestabilizar equipes que dependem da experiência de seus membros.

Por que as empresas devem evitar esta prática?

Para evitar a adoção do ostracismo forçado, as empresas podem implementar diversas estratégias que promovam um ambiente de trabalho saudável e respeitoso, como, por exemplo:

Promoção da comunicação aberta

Estabelecer canais de comunicação transparentes é fundamental. Incentivar os funcionários a expressarem suas preocupações e sugestões ajuda a construir um clima de confiança. Realizar reuniões regulares de feedback e permitir que os colaboradores falem sobre suas experiências pode ajudar a identificar problemas antes que se tornem graves.

Treinamento de liderança

Os líderes desempenham um papel crucial na cultura organizacional. Investir em treinamento para gerentes sobre como liderar equipes de forma inclusiva e empática pode reduzir a probabilidade de práticas prejudiciais. Isso inclui reconhecer o valor de cada funcionário e tratar todos com respeito.

Para essa abordagem, um RH estratégico e presente no dia a dia da empresa é fundamental. Se você tem interesse em saber mais sobre o assunto, conheça o livro Insights de RH Estratégico:

Avaliação de desempenho justa e construtiva

Implementar sistemas de avaliação de desempenho que se concentrem no desenvolvimento pessoal e profissional, em vez de apenas nos resultados, pode ajudar a evitar a desmotivação. O feedback deve ser equilibrado e focar tanto em pontos fortes quanto em áreas de melhoria.

Oferecer oportunidades de desenvolvimento

Criar um ambiente onde os funcionários possam crescer e se desenvolver é essencial. Oferecer treinamentos, workshops e oportunidades de avanço na carreira ajuda a manter os colaboradores engajados e motivados, reduzindo a sensação de estagnação que pode levar ao ostracismo.

Código de ética

Além de todos esses tópicos abordados, o código de ética da empresa é muito importante para manter uma relação profissional e saudável com os colaboradores. Para criar este documento tão importante, conheça o e-book Código de Ética e tenha acesso à base legal e principais tópicos que o mesmo deve abordar.

Como os funcionários devem se comportar?

Diante da realidade do ostracismo forçado, os funcionários devem adotar uma postura proativa, como:

Autoavaliação

É essencial que os funcionários reflitam sobre suas habilidades e objetivos profissionais. Entender o que se deseja para a carreira pode ajudar a tomar decisões mais informadas, mesmo em situações de pressão.

Comunicação aberta

Manter um diálogo claro e honesto com a liderança é fundamental. Se um funcionário se sentir sobrecarregado ou insatisfeito com uma nova função, é importante comunicar isso de forma construtiva. Muitas vezes, os líderes podem não ter consciência do impacto que suas decisões têm sobre os funcionários.

Buscar desenvolvimento pessoal

Investir em formação e desenvolvimento de habilidades pode não apenas aumentar a confiança do funcionário, mas também torná-lo mais valioso em outras áreas da empresa ou em novas oportunidades de trabalho.

Relevância do tema

O ostracismo forçado não é apenas uma tática corporativa; é uma questão que reflete a evolução das relações de trabalho em um mundo cada vez mais competitivo. À medida que as empresas buscam formas inovadoras de gerenciar suas forças de trabalho e cortar custos, os impactos sobre a saúde mental e a cultura organizacional não podem ser ignorados.

Além disso, com a crescente conscientização sobre saúde mental e bem-estar no trabalho, práticas que desconsideram o valor humano dos funcionários estão se tornando cada vez mais insustentáveis. 

Organizações que priorizam o bem-estar de seus colaboradores tendem a ter melhor desempenho a longo prazo, atraindo e retendo talentos.

Como vimos ao longo do artigo, o ostracismo forçado é uma estratégia que pode parecer atraente para empresas que buscam cortar custos, mas os efeitos negativos dessa prática podem ser profundos e duradouros. 

Funcionários que se sentem pressionados a sair ou desvalorizados em suas funções enfrentam um ambiente de trabalho tóxico que pode impactar sua saúde mental e sua carreira.

Por isso, é fundamental que tanto as empresas quanto os funcionários reflitam sobre as consequências dessas práticas. Um ambiente de trabalho saudável e transparente não é apenas benéfico para os colaboradores; é também uma estratégia inteligente para garantir a sustentabilidade e o sucesso da organização a longo prazo.


Alfredo Bottone é Matemático, Advogado, Professor em MBA de Governança Corporativa, Consultor de RH Estratégico, Ética Empresarial, Relações Trabalhistas e em Desenvolvimento de Lideranças e de Profissionais de RH. É Ph.D., Philosophy in Business Administration (USA). É autor do livro “Insights de um RH Estratégico”, “Os desafios legais e de gestão do teletrabalho, home office e regime híbrido”, além de e-books e artigos na área trabalhista, gestão de pessoas e governança corporativa. É membro da Board Academy no Brasil e associado do SHRM (Society for Human Resources Management) nos Estados Unidos.